
Kriptos significa “escondido” e estampa em seu rótulo um símbolo patagônico: o Nahuelito. O nome do projeto é inspirado na história dessa criatura, que viveria oculta no lago Nahuel Huapi e jamais foi encontrada, apesar das incontáveis expedições em sua busca. Os povos nativos relatam encontros transcendentais com Nahuelito, e é justamente essa experiência que Kriptos busca proporcionar em cada taça.
Os irmãos Sofia e Tomás Groppo Parisi representam a segunda geração de produtores de uva em Neuquén e agora seguem em voo solo com o recém-lançado projeto Kriptos. Há mais de 10 anos, a família fornece uvas para alguns dos principais projetos da região, consolidando-se como a primeira bodega 100% orgânica da Patagônia. Os vinhedos estão localizados em San Patricio del Chañar e contam com um profundo estudo de solos, que divide um grande vinhedo em diferentes quadras e fileiras, permitindo diversas microvinificações.
Kriptos nasce com o desafio de elaborar exclusivamente vinhos naturais e reduzir a emissão de CO₂ por meio da utilização de rolhas técnicas e garrafas de vidro com peso máximo de 400 g. A pequena vinícola (máx. 15.000 gfs/ano) trabalha com três linhas de vinhos: Orgânicos, Naturais e Seleccion. Os vinhos da linha Orgânicos provêm de parcelas com solos arenosos e pedregosos, sendo elaborados de acordo com protocolos canadenses para vinhos naturais. Já as linhas Naturais e Seleccion têm origem em parcelas de solos calcários e seguem protocolos franceses de elaboração para vinhos naturais.
Protocolos para Vinhos Naturais
- Canadá (Quebec) — definidos em 2024: uvas orgânicas, leveduras indígenas, colheita manual, baixas doses de SO₂ (até 70 ppm) e possibilidade de leve filtração.
- França — definidos em 2020: uvas orgânicas, leveduras indígenas, colheita manual, sem adição de SO₂ (até 30 ppm) e sem possibilidade de filtração.
Conceito
Kriptos Wines
Terroir Patagônico
A Patagônia Argentina, especialmente a província de Neuquén, vem se consolidando como uma das regiões mais promissoras da viticultura sul-americana. Localizada aos pés da Cordilheira dos Andes, a região combina clima desértico frio, grande amplitude térmica e ventos constantes, fatores que garantem maturação lenta e preservação natural da acidez das uvas. Os solos pobres e pedregosos, formados por antigos depósitos aluviais, limitam naturalmente a produtividade das videiras e favorecem vinhos de grande concentração, pureza aromática e marcada expressão mineral. A baixa umidade e o clima seco também reduzem drasticamente a incidência de doenças, permitindo um cultivo mais sustentável e intervenções mínimas no vinhedo. O resultado são vinhos elegantes, frescos e precisos, que unem intensidade de fruta, tensão e equilíbrio. Em Neuquén, variedades como Pinot Noir, Malbec e Chardonnay encontram um terroir singular, capaz de produzir rótulos de perfil moderno, refinado e profundamente ligado à identidade da Patagônia.
Nahuelito
O Nahuelito é uma das lendas mais fascinantes da Patagônia Argentina. Segundo relatos locais, a criatura habitaria as profundezas do lago Lago Nahuel Huapi há séculos, muito antes da chegada dos colonizadores europeus. Os povos originários da região descreviam encontros misteriosos com um grande ser aquático, associado ao desconhecido e às forças da natureza patagônica. Ao longo do século XX, inúmeros avistamentos alimentaram a lenda e transformaram Nahuelito em um símbolo cultural da região. Expedições, buscas e relatos de moradores ajudaram a construir o imaginário em torno da criatura, frequentemente comparada ao famoso monstro do Lago Ness, mas profundamente ligada à identidade e ao folclore da Patagônia. Mais do que uma simples lenda, Nahuelito representa o mistério, a imensidão e o caráter indomável da paisagem patagônica. Entre montanhas, lagos glaciais e florestas austrais, sua história permanece viva como parte da alma da região e do encanto que envolve o sul da Argentina.
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